quinta-feira, 1 de julho de 2021

BREVE HISTÓRICO DA ACADEMIA PASSO-FUNDENSE DE LETRAS



A Academia Passo-Fundense de Letras foi fundada no dia 7 de abril de 1938, com o nome de Grêmio Passo-Fundense de Letras, e assumiu, oficialmente, a atual denominação a 7 de abril de 1961.

Trata-se de uma longa história, cujas raízes podemos encontrar no dia 15 de fevereiro de 1883 quando quatro jovens: Gasparino Lucas Annes, Diogo de Oliveira Penteado, Felício Bianchi e Pedro Lopes de Oliveira decidiram criar o Clube Literário Amor à Instrução, que atingiu a marca de 120 associados. O Clube manteve uma rica biblioteca, em diversas línguas, promovia palestras, debates e saraus. E possuía estandarte e sede própria.

A tragédia que passou à história com o nome de Revolução Federalista contribuiu para a desativação da entidade, pois a maioria dos seus sócios apoiou as forças republicanas, contribuindo para a criação da chamada Guarda Republicana. Terminada a guerra fratricida, houve uma tentativa de reorganizar o Clube, que não foi adiante. Seus ideais, porém, permaneceram vivos. E, quando da criação do Grêmio Passo-Fundense de Letras, em 7 de abril de 1938, ali estavam Gabriel Bastos e Armando Araújo Annes, antigos integrantes do Clube Literário Amor à Instrução. A memória das atividades dos seus tempos de jovens se fez presente em ideias como a criação da atual Biblioteca Municipal.

A decisão de criar o Grêmio Passo-Fundense de Letras aconteceu numa reunião preliminar levada a efeito no dia 31 de março de 1938. Participaram da reunião os seguintes intelectuais passo-fundenses: Sante Uberto Barbieri, Arthur Ferreira Filho, Gabriel Bastos, Tristão Feijó Ferreira, Aurélio Amaral, Odette de Oliveira Barbieri, Celso da Cunha Fiori, Pedro Silveira Avancini, Herculano Araújo Annes, Nicolau de Araújo Vergueiro, Armando de Souza Kanters, Túlio Fontoura, João José Boeira Guedes, Francisco Antonino Xavier e Oliveira, Verdi De Césaro, Daniel Dipp. Antônio Athos Branco da Rosa, Heitor Pinto da Silveira, Sabino Santos, Gomercindo dos Reis, Onildo Gomide, Píndaro Annes, Waldemar Camilo Ruas, Lucilla Schleder e Oscar Knaipp.

No dia 7 de abril de 1938 foi realizada a sessão de fundação do Grêmio Passo-Fundense de Letras, sendo eleita a seguinte diretoria provisória: presidente: Arthur Ferreira Filho; vice-presidente: Gabriel Bastos; secretário geral: Sante Uberto Barbieri; primeiro secretário: Verdi De Césaro; segunda secretária: Lucilla Schleder; tesoureiro: Daniel Dipp; bibliotecário: Antônio Athos Branco da Rosa.

A ata de fundação foi assinada por Arthur Ferreira Filho, Gabriel Bastos, Sante Uberto Barbieri, Verdi De Césaro, Lucilla V. Schleder, Daniel Dipp, Heitor P. Silveira. Tristão F. Ferreira, Sabino Santos, Gomercindo dos Reis, Oscar Kneipp, Celso da Cunha Fiori e Túlio Fontoura.

Uma das primeiras iniciativas do Grêmio Passo-Fundense de Letras foi propor a criação da Biblioteca Pública Municipal de Passo Fundo, conjuntamente com o Rotary Club, que foi materializada através da aquisição de livros, pelo próprio sodalício. O reconhecimento oficial veio através do Decreto nº 6, de 2 de abril de 1940 com o qual o prefeito Arthur Ferreira Filho, fundador e primeiro presidente da nova entidade, criou a Biblioteca.

As sessões do Grêmio Passo-Fundense de Letras, transmitidas ao vivo pela Rádio Passo Fundo, eram grandes eventos sociais e serviam para que os associados apresentassem trabalhos que acabaram resultando em livros. A associação manteve colunas nos jornais O Nacional e Diário da Manhã sobre os mais diversos assuntos.

No dia 7 de abril de 1961, o Grêmio Passo-Fundense de Letras foi transformado em Academia Passo-Fundense de Letras, tendo os seguintes associados e respectivos patronos: Arthur Süssembach (Monteiro Lobato), Aurélio Amaral (Sante Uberto Barbieri), Carlos de Danilo Quadros (Assis Chateaubriand), Celso da Cunha Fiori (João da Silva Belém), César Santos (Getúlio Vargas), Gomercindo dos Reis (Walter Spalding), Jorge Edethe Cafruni (Francisco Antonino Xavier e Oliveira), José Gomes (Dom Aquino Correa), Jurandyr Algarve (Arthur Ferreira Filho), Mário Daniel Hoppe (Gabriel Bastos), Mário Braga Júnior (Darcy Azambuja), Mário Lopes Flores (Augusto dos Anjos), Paulo Giongo (Ernani Fornari), Píndaro Annes (Prestes Guimarães), Reissoly José dos Santos (Rui Barbosa), Rômulo Cardoso Teixeira (Olavo Bilac), Sabino Santos (Erico Verissimo), Saul Sperry Cezar (Álvares de Azevedo), Túlio Fontoura (Nicolau de Araújo Vergueiro) e Verdi De Césaro (Raquel de Queiroz).

A Academia Passo-Fundense de Letras, ao longo de sua história, promoveu concursos literários, publicou anuários e participou ativamente da vida cultural do município. Tanto é assim que a implantação do movimento tradicionalista gaúcho foi liderada por acadêmicos e a Universidade de Passo Fundo foi idealizada dentro do sodalício.

O prédio da Academia Passo-Fundense de Letras, foi concluído em 1912, servindo de sede do Clube Pinheiro Machado, órgão social do Partido Republicano Rio-Grandense. Entre 1929 e 1932 serviu para a formação de professores, com a instalação da Escola Complementar, gênese da atual Escola Estadual de Ensino Médio Nicolau de Araújo Vergueiro. Após abrigar algumas repartições públicas, passou a sediar o Grêmio Passo-Fundense de Letras, atual Academia Passo-Fundense de Letras. A Biblioteca Pública ali atendeu ao público até meados de 1973, quando foi transferida para o prédio onde se localiza até hoje.

Como se vê, o prédio sede da Academia Passo-Fundense de Letras se confunde com a história do município de Passo Fundo.

Além do apoio a eventos de cunho cultural que são realizados em Passo Fundo, a Academia Passo-Fundense de Letras edita a revista Água da Fonte, criou o programa Literatura Local, na TV Câmara; entre outras iniciativas. Os membros da instituição participam sistematicamente dos espaços de opinião nos veículos locais de comunicação. Sua atual diretoria (2020-2022) está assim constituída: Gilberto Rocca da Cunha, presidente; Agostinho Both, vice-presidente; Paulo Monteiro, secretário-geral; Antonieta Rovena O. Gonçalves Dias, primeira-secretária; Marcos A. B. de Andrade, segundo-secretário; Luis Lopes de Souza, primeira-tesoureira; e Francisco Mello Garcia, segundo-tesoureiro.

São os seguintes, em ordem alfabética, os atuais membros titulares e eméritos da Academia Passo-Fundense de Letras: Agostinho Both, Adelvino Parizzi, Alberto Antonio Rebonatto, Antonieta Rovena O. Gonçalves Dias, Carlos Alceu Machado, Carlos Antonio Madalosso, Daniel Viuniski, Diógenes Luiz Basegio, Elmar Floss, Fernando Severo de Miranda, Francisco Mello Garcia, Getulio Vargas Zauza, Gilberto Rocca da Cunha, Helena Rotta de Camargo, Hugo Roberto Kurtz Lisboa, Irineu Gehlen, Jabs Paim Bandeira, José Ernani de Almeida, Luis Lopes de Souza, Luiz Juarez Nogueira de Azevedo, Luiz Carlos Tau Golin, Marcos A. B. de Andrade, Marisa Potiens Zilio, Mauro Gaglietti, Odilon Garcez Ayres, Osvandré Lech, Pia Elena Zancanaro Borowski, Ricardo José Stolfo, Romeu Carlos Alziro Gehlen, Santina Rodrigues Dal Paz, Santo Claudino Verzeleti e Welci Nascimento.

Desde 2008 a Academia Passo-Fundense de Letras retomou a tradição de promover concursos literários para revelar novos escritores. Ao todo foram seis edições, que culminaram com a publicação de seis volumes reunindo os trabalhos de alunos de escolas públicas e privadas. Em 2008 saiu Machado de Assis; 100 Anos de História; em 2009 o sodalício deu a lume De Canudos a Passo Fundo – Concursos Literários: Um século sem Euclides da Cunha & Poeta Professor Antônio Donin: poesias para alimentar a alma; em 2011: Raquel de Queiroz: Olhares de jovens passo-fundenses; em 2013: O imortal Moacyr Scliar; em 2015: O irreverente Ignácio de Loyola Brandão; em 2017: O Solidário e Intenso Valmor Bordin; e em 2019: O médico e educador Jorge Alberto Salton.

Assim, contribuímos para a formação cultural de Passo Fundo, mantendo uma tradição iniciada por aqueles quatro jovens que, no dia 15 de fevereiro de 1883, fundaram o Clube Literário Amor à Instrução. A história da Academia Passo-Fundense de Letras ultrapassa a marca dos seus 83 anos de existência, completados em 7 de abril de 2021. Somos a continuidade de uma história de 138 anos de amor à cultura.

Passo Fundo, 7 de abril de 2021



PAULO D. S. MONTEIRO & GILBERTO R. CUNHA







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