SUICÍDIO
Vamos falar sobre um assunto pesado; assunto no qual venho
batendo na mesma tecla durante todo esse mês e que irei sempre bater enquanto
tiver alguém na mesma situação que eu: o suicídio.
Segundo o espiritismo, existem duas formas de suicídio; o
suicídio direto e o suicídio indireto ou inconsciente.
O suicídio direto é aquele em que o indivíduo, cansado de
suportar tanta dor e sofrimento emocional, psíquico e espiritual, decide, por
métodos diversos - envenenamento, uso de arma branca ou de fogo, asfixia por
enforcamento... - tirar a própria vida de forma rápida e instantânea. O
suicídio indireto, ou inconsciente, é aquele em que, diferentemente do direto,
busca, por meio do uso de substâncias nocivas à saúde - cigarro, álcool, outras
drogas lícitas, drogas ilícitas -, excessos - como a glutonaria (gula), o sexo
desequilibrado, etc. - enfim, tudo que leva a aceleração da extinção das forças
vitais.
O suicídio atende pelo CID-10 X60-X84. Segundo a Organização
Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número
de suicídios, a cada ano, é de 800.000! O suicídio é a segunda principal causa
de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Ainda segundo essas organizações, 79%
dos suicídios ocorrem em países de baixa e média renda e ingestão de
pesticidas, uso de armas de fogo e enforcamento são os métodos de suicídio mais
comuns no mundo. Esses são dados de 2018!
O suicida não tem cara de suicida. Ele não tem uma tatuagem
na testa escrita "SUICIDA". O suicida pode ser aquele cara bonachão,
que ri, que faz piada de tudo, que tem tudo que uma pessoa sempre quis. E ainda
assim, quer morrer! Na verdade, ele não quer morrer, ele quer matar a dor que o
corrói, o demônio interior que o violenta, a solidão que o aprisiona.
Desde a mais tenra idade, tive problemas familiares. Mas que
foram compensados com uma mãe e avós maternos amorosos que, mesmo imperfeitos,
deram o melhor de si para formar esse mero indivíduo. Tive bons amigos durante
toda a vida e muitos ainda mantenho. Tive até amores! Amores esses que eu
desperdicei. Mas isso é outra história. Já perdi amigos para o suicídio. Sei
como é essa dor, essa incredulidade diante do fato consumado...
Desde novo, fui minando minhas forças. Primeiro, de forma
totalmente inconsciente. Fui suicidando meu espírito, primeiro. No fim da
adolescência, comecei a suicidar meu corpo. Consumindo cigarro, álcool,
thinner, maconha, cocaína (uma vez) .... Me masturbando compulsivamente, sendo
displicente nos cuidados básicos, desejando ser atropelado, toda vez que
passava pela rua.... Levava - e levo, ainda - minha vida como uma roleta russa.
Onde nunca se sabe quando o tiro pode sair do cano da arma e estraçalhar nosso
crânio, atingindo nosso cérebro. Vivia cada dia desejando que ele fosse o
último. Teve tempos de calmaria? Teve. Mas a sombra da morte sempre nos
espreita. Tal como um urubu ávido por carniça. A depressão andava de mãos dadas
com os pensamentos suicidas. E os intensificava. Mas, como sempre, Deus - ou
como desejar chamar, de acordo com sua crença - esteve do meu lado e não
permitiu que a bala saísse do tambor da arma. Calma, falo no sentido figurado!
Continuo com o vício do tabaco, mas não tenho um porre há mais de dez anos e
faz mais tempo que isso que não consumo nenhuma droga ilícita. Quanto à
masturbação, tem épocas mais intensas, mas nada comparado aos tempos da
juventude, começo da vida adulta. E os maus cuidados com o corpo e as ideações
suicidas? Essas continuam no meu encalço, como um cão perdigueiro atrás da
caça.
Porque eu estou partilhando experiências tão pessoais e
íntimas e mexendo numa ferida tão mal cicatrizada como essa? Relaxem, não é
para trazer energias negativas, nem para pedir um biscoito - muito menos a
fábrica da Bauducco inteira -, muito menos para me fazer de coitado ou de
vítima da Ira Divina. Falo isso para alertar que existem jovens, idosos,
homens, mulheres e até - pasmem - crianças vítimas dessa ideação suicida. Que
definitivamente não precisam de sermão, de conselhos baratos, de cobranças e
muito menos de exorcismos. Mas, sim, de palavras carinhosas, de abraços
carinhosos, apertados e demorados. De compreensão, de paciência, de amor. E
fundamentalmente, de apoio clínico, psicológico e psiquiátrico!
Não deixem de discutir o assunto! Não deixem de ajudar de
todas as formas aqueles que enfrentam esse inferno íntimo e particular. Não
varram o assunto para debaixo do tapete! E nunca, NUNCA digam que falar, escrever
sobre suicídio, depressão, ansiedade, transtornos psicológicos e/ou
psiquiátricos é bobagem, besteira de quem não tem o que fazer. Isso só
estigmatiza ainda mais quem sofre desses males.
Lembrando: o site do CVV (Centro de Valorização da Vida) é https://www.cvv.org.br e o número é o 188. O atendimento por telefone acontece 24 horas por dia, 7 dias na semana e é feito por voluntários, de forma totalmente gratuita. O atendimento via chat é realizado nos seguintes horários: Domingo, das 17h até à 1h da manhã/ Segunda a Quinta, das 9h até a 1h da manhã / Sexta, das 15h às 23h / Sábado, das 16h à 1h da manhã.
Para os habitantes de Passo Fundo, o CVV disponibiliza, também, o seguinte número de telefone: (54) 996996623.
Mais amor, mais empatia, mais conhecimento, mais
solidariedade.

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