quarta-feira, 16 de junho de 2021

SUICÍDIO

 


Vamos falar sobre um assunto pesado; assunto no qual venho batendo na mesma tecla durante todo esse mês e que irei sempre bater enquanto tiver alguém na mesma situação que eu: o suicídio.

Segundo o espiritismo, existem duas formas de suicídio; o suicídio direto e o suicídio indireto ou inconsciente.

O suicídio direto é aquele em que o indivíduo, cansado de suportar tanta dor e sofrimento emocional, psíquico e espiritual, decide, por métodos diversos - envenenamento, uso de arma branca ou de fogo, asfixia por enforcamento... - tirar a própria vida de forma rápida e instantânea. O suicídio indireto, ou inconsciente, é aquele em que, diferentemente do direto, busca, por meio do uso de substâncias nocivas à saúde - cigarro, álcool, outras drogas lícitas, drogas ilícitas -, excessos - como a glutonaria (gula), o sexo desequilibrado, etc. - enfim, tudo que leva a aceleração da extinção das forças vitais.

O suicídio atende pelo CID-10 X60-X84. Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de suicídios, a cada ano, é de 800.000! O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Ainda segundo essas organizações, 79% dos suicídios ocorrem em países de baixa e média renda e ingestão de pesticidas, uso de armas de fogo e enforcamento são os métodos de suicídio mais comuns no mundo. Esses são dados de 2018!

O suicida não tem cara de suicida. Ele não tem uma tatuagem na testa escrita "SUICIDA". O suicida pode ser aquele cara bonachão, que ri, que faz piada de tudo, que tem tudo que uma pessoa sempre quis. E ainda assim, quer morrer! Na verdade, ele não quer morrer, ele quer matar a dor que o corrói, o demônio interior que o violenta, a solidão que o aprisiona.

Desde a mais tenra idade, tive problemas familiares. Mas que foram compensados com uma mãe e avós maternos amorosos que, mesmo imperfeitos, deram o melhor de si para formar esse mero indivíduo. Tive bons amigos durante toda a vida e muitos ainda mantenho. Tive até amores! Amores esses que eu desperdicei. Mas isso é outra história. Já perdi amigos para o suicídio. Sei como é essa dor, essa incredulidade diante do fato consumado...

Desde novo, fui minando minhas forças. Primeiro, de forma totalmente inconsciente. Fui suicidando meu espírito, primeiro. No fim da adolescência, comecei a suicidar meu corpo. Consumindo cigarro, álcool, thinner, maconha, cocaína (uma vez) .... Me masturbando compulsivamente, sendo displicente nos cuidados básicos, desejando ser atropelado, toda vez que passava pela rua.... Levava - e levo, ainda - minha vida como uma roleta russa. Onde nunca se sabe quando o tiro pode sair do cano da arma e estraçalhar nosso crânio, atingindo nosso cérebro. Vivia cada dia desejando que ele fosse o último. Teve tempos de calmaria? Teve. Mas a sombra da morte sempre nos espreita. Tal como um urubu ávido por carniça. A depressão andava de mãos dadas com os pensamentos suicidas. E os intensificava. Mas, como sempre, Deus - ou como desejar chamar, de acordo com sua crença - esteve do meu lado e não permitiu que a bala saísse do tambor da arma. Calma, falo no sentido figurado! Continuo com o vício do tabaco, mas não tenho um porre há mais de dez anos e faz mais tempo que isso que não consumo nenhuma droga ilícita. Quanto à masturbação, tem épocas mais intensas, mas nada comparado aos tempos da juventude, começo da vida adulta. E os maus cuidados com o corpo e as ideações suicidas? Essas continuam no meu encalço, como um cão perdigueiro atrás da caça.

Porque eu estou partilhando experiências tão pessoais e íntimas e mexendo numa ferida tão mal cicatrizada como essa? Relaxem, não é para trazer energias negativas, nem para pedir um biscoito - muito menos a fábrica da Bauducco inteira -, muito menos para me fazer de coitado ou de vítima da Ira Divina. Falo isso para alertar que existem jovens, idosos, homens, mulheres e até - pasmem - crianças vítimas dessa ideação suicida. Que definitivamente não precisam de sermão, de conselhos baratos, de cobranças e muito menos de exorcismos. Mas, sim, de palavras carinhosas, de abraços carinhosos, apertados e demorados. De compreensão, de paciência, de amor. E fundamentalmente, de apoio clínico, psicológico e psiquiátrico!

Não deixem de discutir o assunto! Não deixem de ajudar de todas as formas aqueles que enfrentam esse inferno íntimo e particular. Não varram o assunto para debaixo do tapete! E nunca, NUNCA digam que falar, escrever sobre suicídio, depressão, ansiedade, transtornos psicológicos e/ou psiquiátricos é bobagem, besteira de quem não tem o que fazer. Isso só estigmatiza ainda mais quem sofre desses males.

Lembrando: o site do CVV (Centro de Valorização da Vida) é https://www.cvv.org.br e o número é o 188. O atendimento por telefone acontece 24 horas por dia, 7 dias na semana e é feito por voluntários, de forma totalmente gratuita. O atendimento via chat é realizado nos seguintes horários: Domingo, das 17h até à 1h da manhã/ Segunda a Quinta, das 9h até a 1h da manhã / Sexta, das 15h às 23h / Sábado, das 16h à 1h da manhã.

Para os habitantes de Passo Fundo, o CVV disponibiliza, também, o seguinte número de telefone: (54) 996996623.

Mais amor, mais empatia, mais conhecimento, mais solidariedade.

Paz!


Sigmund Phoda

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