quarta-feira, 16 de junho de 2021

RESPEITEM AS PUTAS! *

 


Quem diz que vida de mulher é fácil, que tudo são flores, mente. E mente feio!

Agora vida de mulher e prostituta.... Ah, meu caro, pode ter certeza, é mil vezes pior!

As prostitutas, antes de serem prostitutas, são mães, mulheres, namoradas, esposas, amigas...

Fazem e sentem as mesmíssimas coisas que uma mulher "comum" faz e sente e, ainda, entregam seus corpos ao usufruto de homens, mulheres e casais em troca de um sofrido valor financeiro. Valor esse, muitas vezes, questionado e pechinchado. Como se a prostituta fosse um mero cacho de bananas numa feira livre...

Elas sofrem todo tipo de abuso, violência, preconceito, descaso... Da sociedade, da família, da polícia, da igreja... Enfim, de todos!

Elas oferecem mais do que horas de sexo e prazer. Muitas vezes, servem como conselheiras, terapeutas.... Auxiliam muitas pessoas a se descobrirem. Auxiliam jovens virgens a descobrirem o sexo. Ajudam pessoas retraídas e desprovidas de conhecimento corporal - sim, porque vivemos tempos tão castradores, que desconhecemos nosso próprio corpo e como obter prazer dele - a ter uma melhor relação com o corpo e com o corpo da parceira.

Digo isso das boas profissionais. Pois, como em toda profissão humana, existem profissionais sem preparo, sem caráter.

A história da prostituição acompanha a evolução do mundo. Por isso, ela é chamada de a mais antiga profissão da humanidade. Em todas as eras e culturas, a figura da prostituta sempre esteve presente. E, muitas vezes, em meio ao cenário político e de poder. Muitas vezes, a prostituição exerceu papel importante na história; especialmente em conflitos. Um exemplo bem próximo a nós é o das vivandeiras ou "chinas de soldados", na Revolução Farroupilha. Elas, além de satisfazerem as necessidades sexuais dos soldados, tratavam os doentes e feridos, faziam comida para os soldados, faziam festas e contavam-lhes histórias e carcheavam; ou seja, subtraíam os despojos dos feridos e mortos em batalha para trocá-los por dinheiro ou comida. Mesmo elas terem sido colocadas na história da Revolução como secundárias, tiveram uma grande importância para os soldados e para a História.

Às vezes, uma prostituta tem mais caráter e dignidade que uma dita "mulher respeitável". Lembro que minha avó materna sempre me contava de uma prostituta, vizinha dela, que trabalhava com outras garotas e que ela conhecia meu avô materno dos bailes em que ele tocava - ele era músico da Brigada Militar. Ela sabia que ele era casado e era um homem correto e fiel. E ela conhecia minha avó, também. Por isso, ela sempre recomendava às meninas que tratassem meu avô com respeito e não se oferecessem para ele. Inclusive, que mantivessem uma distância respeitosa dele. Claro que meu avô nunca abordou nenhuma delas. E elas respeitaram as orientações da cafetina. E essa prostituta mais velha sempre tratou meus avós com muito respeito e consideração.

Portanto, caso conheçam ou conversem com uma ou um profissional do sexo, tratem com o mesmo respeito e a mesma consideração que teriam com uma pessoa que não é do ramo. Pois, antes de tudo, essa pessoa é um ser humano. Que merece respeito e amor.

Paz!

* O termo “puta”, utilizado no título desse texto, não é uma forma adequada de tratar as garotas de programa. Ou profissionais do sexo – termo mais adequado. Conversando com uma profissional do sexo, ela me alertou para o fato de que o termo "puta" é vulgar e pejorativo ao se referir à essa antiga profissão; já que nem todas fazem por puro prazer, nem todas são "putas".

Sim, existem aquelas que o fazem por pura e estrita necessidade. Necessidade de sobreviver, de dar uma vida melhor a si e à sua família. E, por isso, merecem AINDA MAIS respeito!

Às profissionais do sexo que lerem isso, o meu mais profundo respeito e admiração. E peço desculpas pelo termo rude que eu utilizei; é que, para mim, ele tem outras significações.

Portanto, RESPEITEM AS (OS) PROFISSIONAIS DO SEXO!


Sigmund Phoda

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