sexta-feira, 2 de julho de 2021

DISTORÇÕES NA SOCIEDADE JUDAICO-CRISTÃ


Após ter, nesses últimos dias, redigido e organizado vários textos, paro para refletir sobre os rumos que a sociedade judaico-cristã em geral - especialmente a brasileira - tem tomado nos últimos séculos, nas últimas décadas, nos últimos anos.... E percebo, aí, um padrão um tanto quanto desconcertante. Percebo que, ao longo dos tempos, a sociedade judaico-cristã vem deliberadamente distorcendo conceitos e valores, muitas vezes, intrínsecos à ela. Estão, por assim dizer, "personalizando" o evangelho de Jesus Cristo. E pior; para o mal! Vemos, a partir desta distorção, que valores como respeito para com as diferenças, caridade, igualdade, amor ao próximo, bondade, humildade, compreensão... estão cada vez mais seletivos e distantes do original. Não estou dizendo que não deva existir livre interpretação das Escrituras Sagradas; pelo contrário. Mas o que deve, sim, haver é um entendimento de que: primeiro, Jesus Cristo NÃO fazia acepção de pessoas. Ele acolhia a todos e buscava o bem-estar de todos; especialmente das minorias e das pessoas mais fracas e carentes de visibilidade e de amor. Segundo, ele só mostrou sua santa ira contra aqueles que mercantilizavam os espaços de adoração à Deus; explorando, assim, a massa empobrecida financeiramente e perdida espiritualmente. Mas, o que vemos ai? Vemos pastores e líderes religiosos explorando e exercendo injusto domínio sobre as classes menos instruídas, promovendo ideias de segregação e diferenciação sociocultural contra parcelas minoritárias da população, difundindo desinformação, negacionismo, preconceito e falsas esperanças à uma gente fragilizada, maleável, sem grandes bases educacionais e socioculturais. Fazendo com que as categorias privilegiadas confrontem e se degladiem com as categorias menos abastadas e de menor apelo econômico e social e promovendo, assim, uma verdadeira " guerra santa". Tiram os poucos bens que essas pessoas tem e, em troca, lhes dão promessas vazias de cura e mudança brusca de vida, por intermédio de um poder "salvador" e "milagroso". Vemos esse mesmos pastores e líderes religiosos se agarrarem em trechos doutrinários redigidos em um contexto e um tempo demasiado anacrônico - especialmente do Velho Testamento - para vociferar discursos de ódio e intolerância às massas entorpecidas.

Por exemplo, quando falamos em igualdade, notamos que a religião tem se mostrado um tanto quanto controversa. Igualdade, só entre pessoas brancas, heteros, cis e com algo - especialmente material - a oferecer. Fora dessa bolha, a igualdade inexiste. O que existe é segregação, preconceito e emudecimento.

Vale ressaltar que existem bons cristãos. Que vivem o puro amor de Cristo, que praticam o bem e a caridade sem olhar a quem. Mas estes estão sendo engolidos por uma massa putrefata de pseudo-cristãos; pessoas que pervertem o que o Mestre ensinou a fim de satisfazerem seus egos inflados.

Devemos ter olhos críticos quando vemos certas pregações. Analisar e distinguir o que é verdadeiramente cristão do que é falácia de homens sem amor e compaixão. Olhemos com mais atenção aos pregadores e às suas falas e reflitamos sobre o que vemos e ouvimos. Não sejamos seres passivos diante de tanta intolerância e desinformação; coisas essas que beiram à criminalidade.

Paz!

Sigmund Phoda

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