quarta-feira, 16 de junho de 2021

PRECONCEITO PSIQUIÁTRICO


Sobre preconceito, meu lugar de fala é das pessoas com diagnósticos de transtornos psiquiátricos. Porque muitas pessoas têm medo de se relacionar com pessoas que tenham algum tipo de transtorno psiquiátrico, por mais leve que seja. E às vezes, não é nem a pessoa que tem esse preconceito, é a família e a sociedade. Meu último relacionamento sério, por exemplo, terminou porque, além de outros problemas que prejudicaram a relação, a família dela achou que eu era um risco para ela e a família. Porque eu poderia surtar e fazer algo extremo contra ela e/ou qualquer uma das pessoas da família. Nos sites de relacionamento, se eu dava a entender que eu tinha algum distúrbio, eu era jogado para escanteio. Eu tenho diagnóstico de esquizofrenia, mas já tive outros diagnósticos, como borderline e bipolaridade. E as pessoas tem medo de gente como eu, psiquiatricamente instável, porque se você tem um transtorno qualquer, você é um incapaz, você é um pobre coitado. E muitas vezes nem é isso. Você é uma pessoa que tem mais dificuldades, mas pode levar uma vida normal, com tudo o que ela reserva. E esse preconceito da sociedade acaba criando um auto preconceito na pessoa, fazendo com que ela se perceba incapaz de ter uma relação saudável e cheia de amor. Tem dificuldades? Tem. Tem adaptações? Tem. Mas adaptações e dificuldades existem na vida de todo mundo. Nem toda pessoa com distúrbios psiquiátricos está impossibilitada de amar. Aliás, vivemos uma época em que os distúrbios psiquiátricos estão virando uma nova pandemia. Ansiedade, depressão... são problemas já comuns na sociedade. Que terá de ter olhos mais empáticos em relação a essas situações. Porque todos merecemos amar e ser amados.

Paz!


Sigmund Phoda

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