quarta-feira, 16 de junho de 2021

AMOR E SEXO EM TEMPOS DIGITAIS


Vamos falar de relações humanas. Mais especificamente, relações amorosas.

Vivemos em uma era cada vez mais tecnológica, mais artificial, mais plástica, mais digital.

Tinder, Badoo, Happ'n, Facebook Namoro... São vários os recursos para encontrar um par. E existem muitas pessoas que recorrem ou já recorreram à esse tipo de "facilitador" de encontros. Eu, inclusive...

Já faz algum tempo - e isso se intensificou com a pandemia - que as pessoas tem lançado mão desses subterfúgios para ter uma vida amorosa satisfatória. Existem casos bem sucedidos de relacionamentos que surgiram de forma virtual. Mas o que mais se vê é frustração, insegurança, manipulação, sentimentos banalizados e vilipendiados, covardia e traição.

Não estou dizendo que devemos abandonar os relacionamentos virtuais. Como disse anteriormente, vivemos em uma era digital; não há como fugir disso. O que estou dizendo é que devemos ser mais conscientes, responsáveis e sinceros em nossa vida virtual. Ter em mente que nós não estamos nos envolvendo com máquinas, mas com seres humanos. Seres feitos de carne, gordura e ossos; que tem um coração pulsando dentro da caixa torácica, com sentimentos, emoções, experiências, traumas... Não somos bits e circuitos elétricos. Somos neurônios e sinapses.

Quando criamos nossos perfis nesses aplicativos de relacionamento, temos a tendência de "dourar a pílula"; ou seja, nos vendermos melhores do que realmente somos. Subtraímos, adicionamos, inventamos características físicas e psicológicas a fim de atrairmos nossos "alvos". E, com isso, criamos uma "persona"; uma máscara que, com o tempo e a aproximação real, não se sustenta.

E mesmo que não se faça um uso compulsivo dessa máscara, existe um fator, dentre outros, que acaba desestruturando os relacionamentos: a distância.

A distância - que pode ser física, psicológica e/ou emocional - afeta muito as relações dos apaixonados. No relacionamento virtual, as palavras ao pé do ouvido são substituídas por mensagens de texto e/ou áudios; os olhares olho no olho, substituídos por olhares para a imagem do ser amado em fotos e chamadas de vídeo e os beijos e abraços apertados, por emojis. É gostoso, por um tempo mas, a médio e longo prazo, isso não satisfaz mais. Torna-se uma relação fria, sem substância, sem alma. É como alimentar-se só de miojo e empanado de frango frito - que eu adoro, aliás! É gostoso? É. Mas, se for consumido todos os dias, sem outras variedades de alimentos, não te alimenta. Só te deixa enfraquecido e anêmico.

O namoro, o sexo, as relações virtuais... quando são voltadas para si mesmas, são vazias. Elas necessitam do complemento das relações reais, físicas, palpáveis. Especialmente as amorosas.

Um emoji não substitui um beijo, um abraço. Uma mensagem de texto não substitui uma palavra bem dita ao pé do ouvido. Uma chamada de vídeo não substitui um olhar bem aproximado e sincero de dois pares de olhos apaixonados.

Durante muito tempo, vivi relações virtuais. De namoro, de sexo, de amizades. Tive bons momentos? Sim, tive. Mas também tive relações, momentos vazios; sem alma. E isso minava minha autoestima, agravava meu quadro depressivo.

Mas, no começo dessa semana, de uma relação que tinha tudo para ser mais um "lance de internet", saiu uma relação real, prazerosa e única. Foi aí que vi o abismo que existe entre o relacionamento virtual e o relacionamento físico, real. E como o relacionamento físico é tão mais salutar, puro e verdadeiro.

Repito: não abandonemos o virtual. Ele faz parte do nosso dia a dia. Devemos, sim, usar a rede mundial de computadores para complementar e facilitar as nossas relações físicas.

Abracem mais, beijem mais, olhem mais uns nos olhos dos outros, transem mais! Sejam mais reais e menos digitais...

Paz!


Sigmund Phoda

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