DAR OU NÃO DAR ESMOLA - EIS A QUESTÃO....
Há uma carta, no Tarô, chamada A Roda da Fortuna. Ela simboliza o ciclo da vida. Os altos e baixos. As voltas que o Destino dá...
E porque essa carta do Tarô está relacionada ao texto da queridíssima Jana Lauxen, publicado no Facebook? Simples. Porque a vida é cíclica. E nunca sabemos quando estamos no alto da roda ou no seu ponto mais inferior. Uma hora, podemos estar bem e felizes; noutro, estarmos arrasados, necessitando de um ombro amigo, de uma ajuda. E vice-versa.
Devemos estar atentos, pois essas mudanças, geralmente, são rápidas e inesperadas.
No texto em questão, ela aborda a questão do oferecimento de esmolas aos mais necessitados, que moram nas favelas de Carazinho, no Rio Grande do Sul. Uma cidade de interior, vizinha e semelhante a minha; Passo Fundo. Que, da mesma forma que as cidades metropolitanas, possui favelas. A questão vai além do ofertar ou não esmolas aos necessitados. A questão é se e como devemos ajudar esses necessitados, para que eles não morram de fome, de frio, de ignorância nem que eles nos tomem recursos negados a eles por nós através da força bruta. Muitos pedem esmolas não por serem vagabundos, indolentes, que querem viver às custas dos outros; o fazem por estar numa situação desfavorável, caótica, desesperadora. Muitos perderam família, casa, emprego, dignidade. Muitos vivem assim por não terem instrução; que certamente faltou aos pais deles, que não receberam de seus pais e assim por diante e, por isso, não obtém emprego. Muitos se afundaram nos vícios para suportar dores inexplicáveis à quem vê de fora a situação e perderam tudo. Até mesmo sua individualidade e dignidade. E, ainda, muitos vivem dessa forma por estarem debilitados fisicamente e psicologicamente; debilitados demais para se encaixarem no mercado, formal ou, mesmo, informal de trabalho.
Há uma frase, da qual desconheço a autoria, que diz que ninguém é tão rico que não precise de ajuda, nem tão pobre que não possa ajudar. Como disse anteriormente, não estamos livres dos reveses da vida. Todos nós podemos passar por algum tipo de sofrimento, seja ele físico, material, emocional, psicológico ou espiritual. E, com pouco ou com muito, podemos mudar a vida de alguém ou de uma família inteira.
Sei que isso é difícil para a maioria das pessoas pois temos uma natureza egoista e inquisidora; inclusive este que vos fala. Mas podemos abstrair essa natureza e sermos mais gentis e amorosos com os outros. Todos os outros.
Dar uma esmola alivia uma necessidade imediata da pessoa, mas não ajuda a médio e longo prazo. O que ajuda é as pessoas se mobilizarem para doar tudo que for desnecessário ou excedente na existência delas e ofertá-las à quem tem pouco ou nada na existência delas. É os poderes públicos oferecerem documentação gratuita à quem não tem acesso a documentos básicos como RG, CPF, certidão de nascimento, de óbito.... É promover ações de inclusão educacional e digital à pessoas sem formação secular e tecnológica. É oferecer atendimento psicológico e clínico e medicação gratuita àqueles que não dispõe de dinheiro para obtê-lo. É os poderes públicos e privados fornecerem meios para que essas pessoas possam realizar trabalhos de baixa complexidade e, assim, amenizar sua penúria. Enfim, estender a mão ao próximo.
Sendo assim, a única esmola que não deve ser dada é a de amor. Pois amor deve ser ofertado de forma ampla e incondicional. Pode parecer utópico, o que eu estou falando; ainda mais que vivemos numa distopia - para quem não sabe, segundo o dicionário online de português Dicio, distopia significa "Lugar hipotético onde se vive sob sistemas opressores, autoritários, de privação, perda ou desespero; antiutopia". Ou "Demonstração hipotética de uma sociedade futura, definida por circunstâncias de vida intoleráveis, que busca analisar de maneira crítica as características da sociedade atual, além de ridicularizar utopias, chamando atenção para seus males". Sociedade futura que está cada vez mais atual. É difícil? É. Mas não é impossível. Se nos esforçarmos - eu, inclusive - um pouco a cada dia para fazer a sociedade um pouco menos distópica, conseguiremos alcançar nosso intento.
Paz!
Sigmund Phoda

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